Figura 1 - Casal de araras-canindé (Ara ararauna).
Existem muitos caminhos sendo percorridos, com resultados bem-sucedidos, mas, também existem questões que ainda permanecem em aberto e/ou dificuldades que precisam ser transpostas. Dentre elas, Hofstatter (2013) aponta a persistência de uma visão estereotipada do semiárido, que reproduz discursos difundidos por mídia, materiais didáticos e mesmo pela forma como os professores/as concebem a caatinga. As dificuldades para interagir com o bioma são relacionadas geralmente com clima, regime hídrico e escassez de recursos naturais, desconsiderando aspectos políticos e sociais. Portanto, a autora sugere ser preciso haver mais arte na EA, para instigar as sensibilidades à beleza estética, constituindo outros olhares sobre a natureza. Ao mesmo tempo, ela afirma que trabalhar com sentimentos não é um caminho simples, como os que afloraram na relação do povo da caatinga com as onças – medo para alguns (os que temem) e vontade de mostrar poder para outros (os que caçam).
Por outro lado, Hofstatter (2013) expressa algo que fica a ser solucionado na concepção dos próprios pesquisadores. A autora descreve que, nas respostas sobre as onças, “causos” e histórias, existem elementos que misturam o real com elementos fantasiosos. Então, propõe ser preciso construir junto com os sujeitos o trabalho com temas psicossociais que emergem, confrontando o pensamento “mágico e ingênuo” com outras ideias e realidades para que ele possa ser ressignificado. Tal ponto vem sendo altamente questionado na etnociência. Seria preciso ressignificar elementos considerados fantasiosos a partir de uma ótica científica? Até que ponto temas que emergem da vivência subjetiva da relação do ser humano com a natureza precisam ser tratados como “mágicos e ingênuos”? Coloca-se a questão como incerteza que ainda persiste na EA que pretenda ser crítica. Na etnoecologia, não se separam as dimensões do complexo kosmos-corpus-praxis (TOLEDO; BARRERA-BASSOLS, 2009), ou seja, sistema de crenças (kosmos), conjunto de conhecimentos (corpus) e práticas produtivas (praxis). Narrativas de histórias mágicas e ritos sagrados resultam de uma prolongada e sistemática tradição de observação da natureza (ARÁN, 2019) e compõem mecanismos de regulação do uso dos recursos naturais (BARROS, 2012).
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Figura 2 - Onça-pintada (Panthera onca), o maior felino do Brasil.


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