Figura 1 - Peregrinos circumambulando a colina de Govardhana na Índia.
A resolução da crise ambiental demanda o diálogo intercultural e a apreensão de novos sentidos que se dê para a relação da humanidade com seu meio. No entanto, existe um processo de fragmentação da comunidade humana global, a qual gera grande multiplicidade de sistemas de significação e representação cultural (HALL, 2006). Mas, mecanismos de dispersão de novidades existem e elas, na pós-modernidade globalizada, têm sido articuladas através da mistura de traços culturais de diferentes nações. É assim que se pode perceber similaridades entre a interpretação filosófica védica que entende a Terra como uma pessoa (chamada Bhu Devi, a Mãe Terra) e a compreensão filosófica que propõe a Terra como Mãe preconizada pela Pedagogia da Terra.
Como parte desta maneira de perceber o planeta, para a ecologia profunda, a humanidade precisa compreender que a natureza tem um valor intrínseco, independentemente dos valores humanos a ela atrelados. Só que, em contraposição a isso, o padrão atual de uso de recursos tem aproximado as potencialidades criadoras às ameaças catastróficas, o que impacta a própria humanidade. Amartya Sen, em importante debate em torno do desenvolvimento como liberdade, sugere estar havendo privação da liberdade humana por meio de pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de estados repressivos (OLIVEIRA, 2022).
Como soluções para tal estado de crise, no pensamento não ocidental que está na Índia, percebe-se a necessidade de um encontro entre atitudes filosóficas perante a vida cotidiana e a historicidade étnica. Ribeiro (2022) explica que, em um nível de compreensão todo-abrangente da suprema não-dualidade que existe em escolas filosófico-religiosas indianas, o real é filosoficamente apreendido simultaneamente como transcendente e imanente. A partir deste fundamento, emanam três modos válidos de compreensão: “dual” (dvaita), “dual-e-não-dual” (dvaitadvaita) e “não-dual” (advaita). Tais diferentes modos de ser, em termos de práxis cotidiana, envolvem a realização e incorporação contínua do mesmo princípio metacognitivo em toda a experiencialidade sensorial (RIBEIRO, 2022). Isso significaria dizer que a pessoa consciente de si se re-educa continuamente, cooperando com o meio onde está por se perceber como parte integrante dele.
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Figura 2 - Devotos se reúnem às margens do rio Yamuna, Vrindavana, norte da Índia.


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