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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Estudo bioecológico da anta (Tapirus terrestris) aplicado ao ensino


Figura 1 - Anta (Tapirus terrestris), por zoosnow

Trabalhando o conceito de serviços ambientais prestados pelas espécies da fauna silvestre na manutenção das florestas com os discentes de Etnodesenvolvimento, percebe-se que eles conhecem muitos deles, mas precisam de um reforço teórico conceitual para os valorizarem mais, principalmente no que se refere a algumas espécies animais (MoraesOrnellas & Ornellas, 2023). A anta em si é muito citada como caça (Figura 1), o que se dá entre indígenas, quilombolas, extrativistas ribeirinhos da região de Altamira, Pará. Por outro lado, um dos relatos dos discentes se referiu a um respeito simbólico que existe entre indígenas Araweté para com a espécie. Quando um exemplar é caçado, não se escutam músicas em som alto na aldeia, até que a carne do exemplar seja toda consumida. Resgatar tais histórias e encantarias, entre licenciandos da Amazônia, os estimula a valorizarem a cultura local de onde vivem, de modo a estimularem também seus futuros alunos da Educação Básica. Há muitos saberes e fazeres que podem preservar populações de T. terrestris e, portanto, das demais espécies que  coexistem com ela em seus habitats. Daí o porquê trabalhar com  aspectos da bioecologia dela no Ensino Superior, de maneira  transdisciplinar, pode ser tão importante.

A história natural da anta ainda precisa ser mais bem inventariada, já que lacunas permanecem em torno de sua ecologia evolutiva. Obviamente que o mesmo padrão pode ser encontrado no que diz respeito a outros taxa. Na medida em que o conhecimento vai se acrescentando, com novas pesquisas sendo realizadas paleontológicas, morfológicas, mitocondriais, genômicas, filogenéticas, evolutivas etc. – torna-se necessário atualizar os quadros teóricos referenciais. Mas, é importante que o ensino e a aprendizagem nas universidades, escolas e espaços de educação não formal acompanhem as atualizações.

No que se refere à inserção da anta no ensino de biologia da conservação, sugere-se uma abordagem que possa ir além da compreensão NeoDarwiniana do seu processo evolutivo. Aqui se propõe que talvez os processos Darwinianos, atuando de fora para dentro do organismo, e os não-Darwinianos, como propostos pela abordagem multidimensional da evolução biológica defendida por Eva Jablonka e Marion Lamb, que fazem o caminho inverso, possam ser abordados no ensino. Porém, além disso, relações comportamentais e simbólicas, envolvendo as antas e os hominídeos possivelmente possam também compor tais abordagens. Afinal, tal coexistência está registrada em desenhos rupestres, encontrados por Beltrão & Locks (1993) em sítios arqueológicos que, segundo Nogueira & Barbosa (2015), pertencem à transição entre Pleistoceno e Holoceno.

Sugere-se que uma abordagem desse tipo possa contribuir com a reflexão crítica das relações contemporâneas do ser humano com os ecossistemas, as quais podem interferir nas teias de interações genéticas e epigenéticas das demais espécies. Enfim, isso é importante de ser trabalhado no ensino de biologia da conservação, dentro dos cursos de formação de professores, tendo em vista o fomento da compreensão de como a espécie humana participa da moldagem da história evolutiva e da bioecologia de espécies da fauna.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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